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14
Janeiro 2005
Comentário
da Semana "O Paraíso Perdido"
José Pedro Calheiros
Habituamo-nos a uma vida de nababos (palavra que escrevo pela primeira
vez na vida). Produzimos, consumimos, esbanjamos. E alegremente seguimos,
dia a após dia, sempre reclamando das dificuldades que temos,
apenas porque as criamos. Num país de vários "faz
de conta", julgamo-nos impunes de grandes desgraças naturais,
seja por um benção natural, seja por protecções
vindas da Cova da Iria. Algo despreocupadamente assistimos com relativa
tranquilidade a atentados no Iraque, a opressões na Palestina,
à repressão em Cuba, a sismos no Irão e na Turquia,
a incêndios na Austrália, a massacres no Ruanda, à
miséria na Rússia, à violência doméstica
em Portugal. Mas a maldita e natural onda, que só conheciamos
da biblíca história de Moisés e nas narrativas
da História foi logo acontecer naquele local, no "nosso
paraíso". Destruiu os "nossos hotéis",
as "nossas piscinas", os "nossos sonhos", matou
os "nossos turistas", e acabou por destruir várias
comunidades locais e matar milhares de habitantes. Mas que raiva, com
tantos ilhas e regiões de costa, onde não existem resorts
turísticos, logo tinha de acontecer no "nosso paraíso".
Que raiva, que choque, que onda de solidariedade que se impõe.
Comentários
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